O fotógrafo ingles James Mollison reuniu em um livro fotos de dormitórios de crianças, ao redor do mundo. Os contrastes são gritantes. “I hope the book gives a glimpse into the lives some children are living in very diverse situations around the world; a chance to reflect on the inequality that exists, and realise just how lucky most of us in the developed world are,” – says James.
Todas as relações do mundo possuem sua prateleira de cristais. Há sempre um suspense, uma delicadeza ao transitar pela fragilidade do outro. Melhor não falar muito alto, é mais prudente ir devagar e com cuidado. Para não estragar, pra não quebrar, para durar por muitos séculos.
Uma senhora que malha na academia perto de casa faz de tudo: menos exercícios. Quando chega, antes de começar a bater papo com a professora, ela vai de um em um dar a benção (apenas nos homens). “Fica com Deus, meu filho, Deus te proteja”. Mas nem só de bençãos vive a simpática senhora.
Outro dia, ela foi cumprimentar um moço. “Meu filho, que Deus te dê muita saúde”, e começou a passar as mãos em seus braços. “Muita saúde!”. De camiseta e suado, ele agradecia. “Obrigado, vovó”. Até que ela decidiu ‘abençoar’ também o seu peitoral. “Nossa, meu filho, parabéns, que Deus continue te protegendo sempre”, e suas mãos corriam pelo peito do rapaz, que, sem graça, se limitava a dizer: “Obrigado, vovó”.
A professora, vendo a cena, resolveu interferir: “Viu, vovó, como ele tá forte?”. Com seus 70, 75 anos, a vovó viu, sim. Viu, sentiu, pegou. “Ah, meu filho, que Deus te abençoe”. (trecho de O Escafandrista)